Evandro Leitão quer união contra aliados de Bolsonaro

O deputado Evandro Leitão (PDT), presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), defende que a parceria política entre PT e PDT no Ceará é imprescindível no momento atual, com a aproximação da eleição de 2022. Segundo ele, é preciso unir forças para conseguir derrotar os principais adversários hoje do grupo governista, “um grupo político fortemente ligado ao Executivo Federal, com linha ideológica extrema”.

Ele se refere ao grupo liderado pelo deputado Capitão Wagner (Pros), que já lançou sua pré-candidatura ao Governo do Ceará. Wagner, que recebeu apoio expresso do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) em 2020, quando se candidatou à Prefeitura de Fortaleza, evitou citar o presidente durante a campanha, referindo-se ao apoio, em vez disso, como uma vantajosa futura parceria administrativa com o governo federal, caso fosse eleito. Bolsonaro tem aceitação menor no Ceará do que na maioria dos outros estados brasileiros, de modo que a associação ao presidente pode acabar tendo efeito adverso no eleitorado no caso de pleitos majoritários.

No campo das hipóteses, Evandro Leitão pode vir a ser o adversário de Wagner em 2022, caso seja escolhido como o candidato do PDT para a disputa, estando ele entre os nomes avaliados. Perguntado sobre o tema, o presidente da Assembleia desconversa, pontuando que está cedo para discutir nomes e que o momento atual deve ser de foco no combate à pandemia e ao desemprego.

Wagner, por sua vez, já declarou que gostaria de disputar contra um dos Ferreira Gomes, para bater de frente com os líderes do grupo político em questão, mas duvida que isso aconteça porque considera que estão “desgastados” entre a população. O prefeito de Sobral Ivo Gomes chegou a ser cotado, mas o próprio já se pronunciou publicamente dizendo que vai se aposentar da política após o término de seu mandato na cidade, em 2024. O nome do senador Cid Gomes também é citado, mas o próprio também nega que isso seja uma possibilidade, pontuando que sequer está sendo incluído nas pesquisas internas preliminares do partido.

Aliança
Evandro Leitão também pontua que a aliança entre PT e PDT “tem sido muito vitoriosa se a gente avaliar os avanços socioeconômicos do estado” e que é preciso ponderar esses avanços na hora de firmar os acordos políticos. A posição é a mesma de todos os demais pedetistas no Ceará que se pronunciam sobre o tema, incluindo outros possíveis pré-candidatos ao Governo do Estado pelo partido, como o secretário Mauro Filho.

A questão é posta em discussão no debate público devido à insatisfação de uma parcela do PT cearense com a perspectiva de não lançar nome próprio como cabeça de chapa para a eleição de governador. A tese defendida pela maioria dentro do PT (e também no PDT) é de que o partido não lance candidato próprio, apoiando em vez disso o nome pedetista, uma vez que deverá ter garantido o nome do governador Camilo Santana (PT) para a disputa do Senado, com boas chances de vitória.

A maioria dos governistas concorda com a projeção de que a parceria vai se manter, não só pela vantagem da sustentação entre os dois partidos, mas também devido aos defensores da cisão – entre os quais os mais notórios são os deputados José Airton Cirilo e Luizianne Lins – não deterem o poder na dinâmica interna do partido. O ex-vice-governador Domingos Filho (PSD), um dos principais aliados dos pedetistas hoje no estado, comenta que o grupo já passou por situações complicadas antes e nem por isso a aliança foi desfeita.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nenhum número escolhido ainda