Os Doutores da Lei estavam Certos?

Não faz muito tempo, antes dessa pandemia, estava eu, em um fim de semana, estudando em meu computador quando me chamam ao portão. Levanto-me a vou atender. Recepcionei, na ocasião, uma dupla que me pedia permissão para ler um trecho da Palavra de Deus. Gosto de pesquisar sobre religiões e já vi coisas que me surpreenderam de fato. A Palavra, para mim, sempre foi bem vinda e me sinto bem em refletir sobre ela. Um trecho me foi lido e logo depois os comentários. Não vou deitar aqui o nome da Igreja a que aqueles membros faziam parte, mesmo porque não há necessidade. Ao final, apesar de algumas discordâncias, ficou a sugestão de entregar-me a Jesus.
Voltei ao meu PC e comecei a refletir. Percebi que há, a meu ver, um pensamento controverso sobre os ensinamentos deixados para nós pelo Filho do Homem. Questionei-me se queria mesmo me entregar a esse Jesus seguido atualmente. E eu digo seguido porque o apregoado é totalmente diferente. O apregoado é mais parecido com o Yeshua que passei a conhecer. Pois o Yeshua, aqui conhecido como Jesus, que eu tive contato, tinha um comportamento muito estranho para esse Jesus seguido atualmente. A começar pelo nascimento. Tão nobre e tão poderoso, foi dado ao Cordeiro de Deus que nascesse em um lugar humilde, tendo sido visitado por pobres e ricos, gente humilde, tendo posses ou não. Incrível que ele tenha nascido assim, em um lugar onde tantos outros se diziam puros e tementes a Deus, fiéis a seus compromissos e mesmo assim não foram capazes de reconhecer o Menino Santo. Creio que foi ali sua primeira rejeição. No decorrer de sua vida, o Yeshua que conheço, esteve entre os mais humildes, buscou os rejeitados, aliviou o fardo dos julgados e pouco se importou com riquezas materiais. Reagiu quando viu a Casa de seu Pai se transformar em Casa de Comércio e, assim como aqueles que tanto buscou ajudar, foi também rejeitado, flagelado e crucificado pelos puros de coração que o rejeitaram, mais uma vez. Mas sempre deixou claro que veio para os desgarrados.
Vejo no Jesus seguido no século XXI um ser celestial de grande diferença. Ao que parece, seus seguidores arrebanham-se entre os seus e, consciente ou inconscientemente, julgam os que não fazem parte de seu círculo. Seus grandes mestres, representantes da fé que os move, negociam indulgências, motivo que fez Lutero dividir a Igreja, prometendo prosperidade e riquezas. Líderes escolhidos, tidos como sagrados, ungidos, que inserem a discórdia nos seus seguidores em nome do Criador. Vejo nos olhos de muitos seguidores de hoje, o prazer da cegueira daqueles que xingavam o Filho de Deus a caminho do calvário e a satisfação de suas almas em seu último suspiro. Pensei comigo; definitivamente esse Jesus não é Yeshua, pois se assim o fosse, não entraria na casa de coletor de impostos. Muito antes pelo contrário, diria à multidão que o seguia que depredassem aquela casa e que não sobrasse pedra sobre pedra. Talvez dissesse àquele jovem rico que queria a vida eterna, que lhe entregasse todos os seus bens que o Pai o daria, além da vida eterna, tudo que o cedera, em dobro. Teria aplicado um chute na cara de Maria Madalena e seria o primeiro a jogar um paralelepípedo na cabeça da adúltera. Iria, certamente, negociar uma comissão com os sacerdotes e doutores da Lei, sobre a venda de sacrifícios na porta do templo. Teria provocado uma discórdia tão grande entre os discípulos e Judas, que talvez nem tivesse morrido na cruz e com a ajuda de Barrabás desse um golpe de estado e faturado Jerusalém e toda a Israel. Afinal, era de seu Pai mesmo. Meu Yeshua não conseguiu fazer nada disso pois, mesmo sabendo da hora de sua morte e como morreria, não se entregou a Lúcifer e suas tentações. O comportamento de muitos dos seguidores do Jesus de hoje, me faz vê-lo com esse tipo de comportamento.
Meu Yeshua ensinou que o maior dos mandamentos é “amar uns aos outros”. E amar sem distinção. Amar plenamente. Fiquei ainda pensando. Será que os Doutores da Lei estavam certos? Aquele Jesus (Yeshua) que pregava que todos eram iguais, que curava os enfermos, que perdoava prostituas e adúlteras, pior, perdoava pecados quando isso só era atribuído a Deus (que blasfêmia desse profeta!), deveria mesmo morrer para não contagiar seus seguidores puros de coração? Afinal de contas, eles eram os doutores da lei, sacerdotes, fariseus, homens de bem, homens de fé inquestionáveis. Suas palavras eram as palavras do Senhor Deus que assim os ungiram para tal. Não seria um profetazinho de uma cidade inexpressiva como Nazaré que iria abalar a credibilidade deles. Um galileu pobretão filho de um carpinteiro se dizer filho de Deus, seria um completo absurdo.
E esse Jesus (Yeshua) foi morto, ressuscitou e seguiu para o Pai, deixando-nos aos cuidados do Espírito Santo. Hoje, temos um novo Jesus e aquele a quem Ele deixou sendo confirmado por alguns doutores da lei e grandes sacerdotes, como avalista dos sacrifícios financeiros, em troca da tão almejada prosperidade.
Não perca tempo. Entregue-se a Jesus.

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